segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Vazio

esvaziamento total, ausência completa de força, perda contínua da vontade,abstinência daquilo que chamam felicidade

um mês no qual meus sorrisos foram raramente verdadeiros,meus olhares de carinho ao próximo foram comedidos,no qual os abraços foram suspendidos, que o carinho se tornou um bem ainda mais precioso por ser quase inexistente.

um mês,sentado aqui diante de um mundo virtual que me acolhe na sua frieza,na sua distância,no meio de seus bytes,sem pedir nada em troca- talvez apenas minha dedicação à sua exploração constante. é na virtualidade que me permito ser quem sou,quem não sou e quem gostaria de ser.

nessa presença-ausencia do corpo real, me vejo sem saída deste corpo virtual,que é de certa forma imortal,intocavel, enquantomeu corpo real se desfalece,se esfarela,se enfraquece perante os obstaculos e se torna incapaz de prosseguir.

se eu pudesse ao menos sobreviver apenas da virtualidade,mas não posso. necessito da materialidade, virtual ou real,meus corpos dependem da manutenção constante desta carcaça humana onde se aloja uma alma,um espírito,uma personalidade, tão indefinidos quanto fragmentados. tão temerosas quanto curiosas.

vazio,sim.oco.completamente oco.e ainda assim,dói.incomoda.machuca.dilacera.confunde.dor interminável,dor acumulada de anos,raiva oculta que teme e teima sair.

domingo, 12 de outubro de 2008

Pensamentos obscuros na fila do cinema

Sentimento de solidão me consome em todas as situações. Acompanhado ou não,independente de multidão, estou e me sinto sempre só.E meu eu parece gostar disso,ou simplesmente se acostumou a esse sofrer individual, a ser invisível até quando todos me vêem.Sombra sim, vulto,rastro,espectro fantasmático,sem fisicalidade real,só uma aparência aparentem um real que é tão somente inexistente.
Conseguir ser solitário no meio de 2 ou 2000,vitória ou derrota?Não sei,luta sem fim por uma resposta. Olhar vago e sem foco,sem luz ou significado. Estar sem ser presente,chorarsem demonstrar,precisar sem saber do que,amar para poder sofrer,sofrer para poder amar. Amo,logo,sofro. Perco pensando em ganhar,mas perco até aquilo que nunca tive.
Nessa noite me sinto perdido mais do que o usual,me sinto fraco para amar,sem forças suficientes para resolver meus problemas sozinho. Preciso de ajuda.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sobre o sofrer.

Então o que é o amor senão enfiar-se num poço confuso onde jorram emoções e aflições de tipos vários e intensidades crescentes?
De que serve tal sentimento se sempre que o sinto a dor é maior que o prazer, o sofrer é mais intenso que o não amar?
Como explicar a necessidade humana pela afeição do outro,pela cumplicidade,pela naturalidade de um sentimento incompreensível ,que se pensa ser o ápice da relação hjumana quando na verdade se comprova sua característica mais destrutiva.
Porque acredito num sentimento tão tolo, tão inalcançável quanto a imortalidade?Serei eu um humano real ou apenas uma sombra vivendo neste mundo, agindo e pensando como se minha vida pudesse ser melhor do que isso? Ficção,apenas. Eu posso ser feito de carne,sangue e ossos, posso tocar e ser tocado, minha existência física é apenas um corpo, um corpo semi-vivo que caminha. O que importa se minha alma e minha mente estão a séculos deste tempo. Esse sentimento de não pertencimento, jorrando um lágrima de puro vazio e nenhum sentimento. Onde estou,quem sou eu, o que realmente gosto e quero? Je ne sais pas
Sou um paradoxo em mim mesmo. Não há nada a fazer quando por mais que tente eu não conheça meu próprio eu. Se não há felicidade, não há vida, não há ar, e já não posso mais respirar,ainda que minha vontade de viver e minha busca pela felicidade permaneçam sempre fortes.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sobre uma vida banal.

A palavra medíocre tem sido ultimamente aquela capaz de melhor definir o que penso sobre mim mesmo. Tudo que sempre fiz,faço e sem dúvida alguma farei, se reduz a um nível tal de mediocridade que,ainda que tal feito funcione, sua relevância é zero.
Explico em parte: nasci com o dom divino da responsabilidade, atrelada a uma preguiça que me deixa tudo para a última hora. Quase sempre. Invariavelmente,independente do tempo gasto,eu farei aquilo que me foi pedido. E sairá de forma medíocre. Não será um lixo, e nem uma obra prima, será apenas medíocre. Um algo que "poderia ter sido" mas que nunca "virá a ser" por tal incapacidade minha de dar anima as coisas. Talvez por eu mesmo ser desprovida de anima,de alma.
Em minha mediocridade percebo como levo um dia apos o outro apenas como uma rotina,um dever, uma necessidade. Se nada faço com paixão real, não vivo,pois. Se me falta uma essência do ser, se me falta uma capacidade de admirar o punctum das coisas vivas e não vivas,materiais e imateriais, ectoplásmicas ,fantasmáticas, me falta logo a compreensão da minha necessidade do estar,do viver,do andar,do ser.
Banal ora, banalidade tamanha e sem fim a qual tento dar uma relevância ou um parecer através de palavras transcodificadas em códigos binários. Zeros e um`s que são mais capazes de expressar a mim do que eu mesmo.

Adeus, mundo :Este não é um blog engraçadinho

Aos desavisados que por acaso cairam aqui de paraquedas, o primeiro post é apenas um aviso: se você esperava por relatos engraçados de uma pessoa idiota e suas idiotices, mude de rumo antes que o caráter triste deste blog acabe com seu dia. O idiota aqui é usado no sentido mais pejorativo,mais cruel e mais real possível, o que caracteriza realmente o dono deste blog e as idiotices tamanhas e sem fim que ele comete nessa vida. Para nao ficar chato demais e dependente das - muitas - idiotices,besteiras,burradas e afins que este que vos fala pratica a todo instante, vez ou outra algum post reflexivo pode aparecer. Mas não espere achar nele a resposta dos seus probelmas, nem um pensamento lindo e comum sobre o mundo ,as pessoas, a humanidade.
Este que aqui escreve se considera um pessimista nato, ainda que na visão de tantos outros ,seja exatamente o contrário,um otimista de carteirinha.

Adeus, mundo